"Eu era o tipo de cara que sentava no fundão, que usava Aéropostale e Tommy Hilfiger, não saía de casa sem passar perfume Malbec e sem meu iPhone. Tinha fone Beats e tênis da Vans, não queria nem saber de amor, só de curtição. Eu era o cara que saía todo fim de semana pra ficar com alguma garota naquele lance de pega e não se apega, bebia todo tipo de coisa: De Absolut Vodka à Heineken. Matava aula com os amigos sempre que possível, tirava zero nas provas, reprovava e ia para a direção quase sempre. Ela? Ela era a CDF da turma, sempre a via com algum livro do Nicholas Sparks e um diário azul nas mãos. Ela parecia um enigma, um Código da Vinci, ou como passei a chamá-la: “Teorema Luíza.” Nunca vi essa garota ficando com ninguém, ela era sempre aluna destaque e estava sempre só, como quem tem medo das pessoas. Eu nem conhecia a Luíza direito, nem sabia o nome dela até a ver levantando a mão enquanto o professor fazia a chamada e eu chegava atrasado, sendo quase forçado a sentar ao lado dela. Na aula de matemática, olhei ao redor e toda aquela gente inteligente estava fazendo o dever que eu nem entendia, a vi fazendo também e não me aguentei, pedi ajuda a ela e ela me ensinou tudo o que eu nem conseguia começar. Daquele dia em diante, passei a sentar ao lado dela todos os dias, descobri que a Luíza na verdade se chama Maria Luíza e passei a chamá-la de Malu. Ela é evangélica e o pai dela é bastante pobre, ela entrou na escola por concurso de bolsa. Cara, de fato ela foi a melhor garota que conheci, sabe fazer crochê, cozinhar e tocar piano. Era a única amiga que eu tive por muito tempo, pois os garotos com quem eu andava já não andavam comigo por eu “estar com a nerd”, mal sabiam eles que a Malu nunca ligou para nenhum deles e eu, assim como ela, passei a não ligar também. Eu a ensinei (com muito esforço) a andar de skate e patins, já ela me ensinou Física e Química. Eu sempre almoçava na casa dela, e seu pai odiava o modo “bad boy” como o que eu me vestia. Por ela eu mudei radicalmente e não me arrependo. Parei de ir às festas e nos horários em que eu ia, passei a frequentar a igreja dela. Resolvi pedir ao seu pai que me permitisse namorar com aquela garota maravilhosa a quem ele educou, e (não sei como), ele deixou. Deixei de ser o estereótipo de cara idiota, para ser aquele por quem a Malu se apaixonara. Neste tempo em que estive ao seu lado, descobri que sua mãe morreu no parto e sequer viu A filha. Após um ano ao lado dela, fiz a pior das descobertas: Malu tinha Leucemia… Eu fui incapaz de deixá-la por isso. Vendi minhas roupas mais caras para pagar o tratamento dela e para, principalmente, vê-la feliz e sorrindo ao meu lado novamente, não num hospital como, repentinamente passou a ser sua rotina. Estávamos no último ano da escola e ela sonhava em ser médica-cirurgiã. Tinha planos de se casar e ter um casal de filhos. Todas as noites em que ela dormia no hospital e eu não podia ir passar a noite ao lado dela, ela me ligava e dizia: “— Bê, você acha que Deus me ama?” E eu sentia um aperto no coração sempre que ela perguntava aquilo com uma voz quase que totalmente apagada, mas eu sempre a respondia da mesma forma: “— E como Ele poderia não amar você?” Ela sorria sempre a cada vez que eu dizia, como se fosse a primeira que ouvisse. Vi a garota que amo perder o tom rosado de sua pele, vi seus cabelos aloirados caírem fio após fio, até que não sobrasse nenhum. A vi por noites acordada chorando, dizia temer, não a morte, mas o receio de não ter feito tudo o que podia durante a vida, ela não comia direito e nem bebia mais água frequentemente, poucas foram as vezes em que a vi sorrir depois do dia em que ela passou a morar naquela sala de emergência. Eu lia poesias pra que ela dormisse, mas temia desesperadamente que ela não acordasse. E um dia, ela realmente não acordou… Eu não estava lá para dizer a ela que não estava sozinha, não estava lá para segurar a mão dela e dizer a ela que tudo ficaria bem novamente, não estava com ela para dar um último abraço ou um beijo. Eu apenas a vi ir embora da minha vida assim… Do dia para a noite, sem se despedir, sem dizer: “— Bê, eu vou melhorar, né?”, sem nada… Ela só… Se foi. Um dia após seu enterro, fui até o cemitério, onde eu realmente não desejava estar quando descobri de sua doença já tardia, sentei-me ao lado de seu túmulo, deixei as rosas azuis que ela tanto gostava e li para a noite, esperando que ela pudesse me ouvir e desculpar-me por nunca ter escrito nada pra ela em vida: “E agora sinto em meu peito o vazio que tua ausência me causa, sinto que parte de mim, aquela que você transformou com a tua doçura, com a tua bondade, está morta também. Sinto que ela somente a ti pertence e que jamais poderei ser feliz sem você. Sei que não é nada do que você ia gostar de me ver fazendo após a tua partida, mas lhe confesso, pequena, que, no momento e talvez para sempre, só saberei chorar e sofrer, até que um dia eu possa voltar a te ver… Acho que nunca lhe disse, mas eu te amo.” Talvez eu devesse ir embora, mas iria sabendo que minha alma estaria pra sempre com ela…"
Malu e Bernardo.  (via ergueu)

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"Queria ficar, mas ir é obrigatório. Tenho inveja de quem pode ficar, de quem pode sentar ao seu lado, de quem sabe seus gostos. Eu não posso ficar, mas eu volto, eu volto só pra constatar que você ainda me comove."
Caio Augusto Leite.

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"Não te prometo perfeição, até porque, estou muito longe disso, mas te prometo o meu melhor, te prometo minha parte boa, minha parte que te ama."
Fernanda Pinheiro. 

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"Aí você solta aquele suspiro, que parece descarregar a alma."
Caio Fernando Abreu.

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"Mas, sei lá, era bom, sabe, ter alguém com quem brigar."
Quem é você, Alasca?

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